Registrar marca sozinho pelo site do INPI: riscos e erros mais comuns

Registrar marca sozinho pelo site do INPI: riscos e erros mais comuns

Introdução

O sistema do INPI é público, a taxa do pedido é acessível para pessoa física e pequenas empresas, e existem tutoriais na internet. Não surpreende que muitos empreendedores decidam registrar marca sozinho. A lei permite, e em alguns casos o processo corre sem nenhum problema.

O que costuma não aparecer nos tutoriais é o que acontece depois do protocolo, e o que deixa de ser feito antes dele. Quando o pedido é indeferido, a taxa não é devolvida, e a marca pode ficar mais exposta do que antes, porque o pedido é público. Este artigo mostra os erros mais frequentes de quem faz o pedido por conta própria e ajuda a avaliar se o seu caso é dos que podem seguir sem apoio.

Neste artigo

É permitido registrar marca sozinho?

Sim. A Lei da Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/1996) não exige procurador para depositar um pedido de marca. Pessoa física, MEI ou empresa podem se cadastrar no sistema do INPI, emitir a guia, pagar e fazer o depósito. O passo a passo está no artigo sobre como registrar marca no INPI.

A pergunta útil não é “posso?”, e sim “o que preciso saber para não perder o pedido?”.

Os 7 erros mais comuns

1. Pular a pesquisa de anterioridade

É o erro mais caro. Quem pesquisa só o nome exato, ou só olha se o nome está disponível como domínio ou CNPJ, deixa de ver marcas parecidas já registradas no mesmo segmento. O INPI indefere pedidos por semelhança, não só por identidade.

2. Escolher a classe errada

A marca é registrada por classe, segundo a Classificação de Nice. Uma loja que vende roupas e um fabricante de roupas podem precisar de classes diferentes. O artigo sobre como escolher a classe de Nice mostra como essa escolha muda a proteção.

3. Especificar produtos e serviços de forma estreita ou ampla demais

Dentro da classe, é preciso descrever o que a marca vai identificar. Estreita demais, a proteção não cobre o que o negócio faz de verdade. Ampla demais, o pedido pode esbarrar em marcas de outros ramos e atrair oposição.

4. Pedir uma marca que a lei não permite registrar

Termos genéricos ou descritivos (como “Pão Quentinho” para uma padaria), indicações geográficas e sinais que imitam símbolos oficiais estão entre as proibições do artigo 124 da lei. O pedido segue, a taxa é paga, e o indeferimento vem meses depois.

5. Escolher a apresentação errada

Nominativa, mista, figurativa ou tridimensional: cada forma protege uma coisa. Registrar só o logotipo quando o que importa é o nome, ou o contrário, é um erro frequente de quem faz sozinho.

6. Não acompanhar a Revista da Propriedade Industrial

Depois do protocolo, toda comunicação do INPI sai na RPI, publicada semanalmente. O instituto não manda aviso pessoal para cada despacho. Quem não acompanha perde prazos.

7. Perder prazo de exigência ou de oposição

Uma exigência não cumprida em 60 dias leva ao arquivamento. Uma oposição sem resposta deixa o examinador decidir só com os argumentos do outro lado. Um indeferimento sem recurso em 60 dias encerra o pedido.

O que acontece quando o pedido dá errado

Os efeitos de um erro não se limitam à taxa perdida:

SituaçãoConsequência prática
Pedido indeferido por colidênciaTaxa perdida e necessidade de avaliar outro nome
Pedido arquivado por prazoTaxa perdida e retorno à fila com novo pedido
Classe erradaMarca registrada, mas sem proteger a atividade real
Pedido publicado com falhasTerceiros ficam sabendo do nome e podem se antecipar em outras classes
Uso do nome durante a análiseSe já existe marca anterior, risco de notificação e de ação por uso indevido

O último item é o mais sensível. Quem começa a usar a marca e investe em fachada, embalagem e anúncios antes de ter segurança sobre a disponibilidade do nome pode precisar trocar tudo depois. Os tribunais têm reconhecido indenização ao titular anterior em diversos casos, e cada situação depende das provas e das circunstâncias.

Registrar marca sozinho ou com apoio: como decidir

Alguns sinais indicam que fazer por conta própria tende a ser viável:

  • O nome é inventado ou pouco comum, sem nada parecido nas buscas.
  • A atividade cabe claramente em uma classe só.
  • Você tem disponibilidade para acompanhar a RPI toda semana durante o processo.

Outros sinais pedem mais cautela:

  • Existem marcas com grafia ou som parecidos no mesmo ramo.
  • O nome descreve o produto ou usa palavras comuns do segmento.
  • A marca é o principal ativo do negócio, ou você pretende licenciar e franquear.
  • Já houve exigência, oposição ou indeferimento.

Se você ainda está avaliando quem contratar, o artigo sobre advogado ou despachante de marca compara o que cada profissional pode fazer.

Como nossa equipe pode ajudar

Nossa equipe atua em registro de marcas em todo o Brasil, com a Dra. Sarah Fiorot como advogada responsável. É possível contratar desde a pesquisa de anterioridade com análise de risco, para quem quer fazer o pedido por conta própria com mais segurança, até o acompanhamento completo do processo. O resultado depende da análise do INPI, e nenhum registro pode ser garantido. Veja mais na página de advogado para registro de marcas. Para conversar sobre o seu caso, fale no WhatsApp ou fale com um advogado.

Perguntas frequentes

Se o pedido for indeferido, o INPI devolve a taxa?

Não. A taxa remunera o exame do pedido, e ela não é devolvida quando o resultado é negativo. Para tentar de novo, é preciso um novo pedido, com nova taxa, ou um recurso dentro do prazo.

Posso começar sozinho e contratar ajuda no meio do processo?

Pode. Basta nomear um procurador no processo. Quanto antes isso acontece, mais opções costumam existir, principalmente se ainda houver prazo para responder a exigência ou oposição.

Quanto tempo leva para saber se o pedido foi aprovado?

Varia com a fila do INPI e com a existência de oposição. Em muitos casos leva mais de um ano. O andamento aparece nas publicações semanais da RPI.

Fontes oficiais

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individualizada de um advogado.

Leia também