Marca com palavra estrangeira: o INPI aceita nomes em inglês?

Introdução

“Burger House”, “Fit Life”, “Beauty Studio”, “Smart Solutions”. Basta andar por qualquer centro comercial para perceber como os nomes em inglês dominam o mercado brasileiro. Eles soam modernos, internacionais e, muitas vezes, são escolhidos justamente por isso.

A dúvida aparece na hora de proteger o nome: uma marca com palavra estrangeira pode ser registrada? A resposta curta é que o idioma, sozinho, não é obstáculo. O que pesa é o significado da palavra. Neste artigo, nossa equipe explica como o INPI costuma tratar termos em inglês e em outros idiomas e quais cuidados ajudam a evitar o indeferimento.

Neste artigo

O idioma é um problema para o INPI?

Não. A Lei de Propriedade Industrial não exige que a marca esteja em português. Palavras em inglês, francês, italiano, espanhol, japonês ou qualquer outro idioma podem compor uma marca, assim como palavras inventadas que não existem em língua nenhuma.

O que a lei faz é listar sinais que não podem ser registrados, no art. 124. E essa lista vale para a palavra em qualquer idioma. O INPI não analisa só como a palavra está escrita, mas o que ela significa, especialmente quando o termo estrangeiro é conhecido do público brasileiro.

Quando a marca com palavra estrangeira é recusada

O motivo mais comum de recusa é o mesmo que atinge nomes em português: o termo ser genérico, comum ou descritivo em relação ao produto ou serviço (art. 124, VI, da LPI). Traduzir a palavra para o inglês não muda essa análise.

Alguns exemplos de como isso funciona:

  • “Burger” para hambúrgueres equivale a “hambúrguer” e descreve o próprio produto.
  • “Delivery” para serviço de entrega descreve o serviço.
  • “Beauty” para salão de beleza indica a característica do serviço.
  • “Fit”, “Light”, “Premium” e “Best” são termos de qualidade ou de característica, usados por todo o mercado.

Esses termos podem até aparecer dentro de uma marca, mas o conjunto precisa ter outro elemento capaz de diferenciar o negócio. “Burger” sozinho tende a ser recusado; um nome inventado acompanhado de “Burger” pode ser aceito, com a palavra descritiva sem exclusividade.

Outros motivos de recusa que também se aplicam a termos estrangeiros:

  • Indicação geográfica ou falsa procedência: usar “Paris”, “Napoli” ou “Swiss” de forma que sugira origem que o produto não tem.
  • Expressões de propaganda: slogans em inglês não são registráveis como marca (art. 124, VII).
  • Reprodução de marca anterior: se outra empresa já registrou o mesmo nome no mesmo ramo, o idioma não muda nada.

O artigo sobre marca descritiva e marca evocativa mostra onde fica a linha entre um nome que sugere uma ideia, e costuma ser aceito, e um que apenas descreve o produto.

Semelhança de pronúncia e grafia

Um ponto que costuma pegar empreendedores de surpresa: na análise de conflito com marcas anteriores, o INPI considera não só a grafia, mas também a pronúncia e a ideia transmitida pelo nome.

Isso significa que:

  • uma palavra em inglês pode conflitar com uma marca em português de mesmo significado, quando a ideia transmitida for a mesma;
  • grafias diferentes com som parecido, como “Kool” e “Cool”, tendem a ser vistas como semelhantes;
  • variações criativas da escrita de uma palavra descritiva nem sempre afastam o problema da descritividade.

Os critérios usados pelo INPI nessa comparação estão no artigo sobre colidência de marcas.

Exemplos de nomes aceitos e recusados

Tipo de nomeExemplo hipotéticoTendência na análise
Palavra estrangeira descritiva isolada“Pizza Express” para pizzariaTende a ser recusada
Palavra estrangeira sem relação com o produto“Blue Owl” para pizzariaTende a ser aceita, se não houver conflito
Palavra inventada com aparência estrangeira“Zantrix” para softwareTende a ser aceita, se não houver conflito
Termo descritivo + elemento distintivo“Moranza Burger” para hamburgueriaPode ser aceita, sem exclusividade sobre “Burger”
Nome de cidade estrangeira que sugere origem“Milano” para massas fabricadas no BrasilPode ser recusada por falsa indicação de procedência

Os exemplos são ilustrativos. A decisão do INPI depende da especificação do pedido, da classe escolhida e das marcas já existentes, por isso cada nome precisa ser avaliado individualmente.

Como avaliar o nome antes do pedido

Alguns passos ajudam a reduzir o risco de indeferimento:

  1. Traduza o nome. Pergunte o que a palavra significa e se essa tradução descreve o seu produto ou serviço.
  2. Pense no público. Termos em inglês muito conhecidos no Brasil tendem a ser analisados pelo significado. Palavras pouco conhecidas ou inventadas costumam ter mais distintividade.
  3. Faça a pesquisa de anterioridade. Busque não só o nome exato, mas variações de grafia, a tradução e termos com pronúncia parecida. O passo a passo está no artigo sobre pesquisa de anterioridade.
  4. Considere uma marca mista. Quando o nome tem um termo descritivo, o logotipo pode reforçar a distintividade do conjunto, embora não elimine o problema da palavra.
  5. Pense no futuro. Se o negócio pretende atuar fora do Brasil, vale verificar se o nome tem significado negativo ou se já é usado por concorrentes no país de destino.

Nossa equipe atua em registro de marcas em todo o Brasil, com a Dra. Sarah Fiorot como advogada responsável, da análise do nome até a concessão. Para saber como funciona, visite a página de advogado para registro de marcas ou fale no WhatsApp.

Perguntas frequentes

Preciso informar a tradução da marca em inglês no pedido?

O examinador do INPI considera o significado dos termos estrangeiros na análise, independentemente de o requerente informar a tradução. Por isso, vale conhecer o significado antes de depositar, para avaliar se ele descreve o produto ou serviço.

Uma marca em inglês registrada no Brasil vale nos Estados Unidos?

Não. O registro no INPI vale apenas no território brasileiro. Para proteger a marca em outros países, é preciso fazer o pedido em cada um deles ou usar o Protocolo de Madri, caminho explicado no artigo sobre marca internacional pelo Protocolo de Madri.

Posso misturar português e inglês no mesmo nome?

Pode. Marcas que combinam idiomas são comuns e costumam ser analisadas pelo conjunto. O cuidado é o mesmo: nenhuma das partes deve ser apenas descritiva do produto e o conjunto não pode conflitar com marca anterior.

Fontes oficiais

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individualizada de um advogado.

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