Quanto custa registrar marca pelo Protocolo de Madri

Introdução

A empresa começou a vender para fora, recebeu contato de um distribuidor estrangeiro ou quer abrir loja em outro país. Nesse momento, proteger a marca lá fora deixa de ser um plano distante e vira uma decisão de orçamento.

O Protocolo de Madri permite pedir a proteção em vários países com um único pedido, apresentado pelo INPI. Mas o custo do Protocolo de Madri não é um valor fixo: ele depende de quantos e quais países serão designados e de quantas classes o pedido cobre. Neste artigo, nossa equipe mostra cada componente do custo, como estimar o total e quando o caminho de Madri costuma compensar.

Neste artigo

Como o Protocolo de Madri funciona, em resumo

O Brasil aderiu ao Protocolo de Madri em 2019 (promulgado pelo Decreto 10.033/2019). Por ele, quem tem um pedido ou registro de marca no INPI, chamado de marca de base, pode apresentar um pedido internacional designando os países onde quer proteção. A Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) faz o registro internacional e encaminha o pedido para que cada país examine segundo a sua própria lei.

O passo a passo completo está no artigo sobre marca internacional pelo Protocolo de Madri. Aqui, o foco é o custo.

Os componentes do custo do Protocolo de Madri

ComponenteQuem cobraComo é calculado
Taxa básicaOMPIValor fixo por pedido, maior quando a marca tem cores
Taxa complementarOMPIValor por país designado que não cobra taxa individual
Taxa suplementarOMPIValor por classe acima da terceira, quando aplicável
Taxa individualOMPI, repassada ao paísValor definido por cada país, em geral por classe
Retribuição do INPIINPICobrada pela análise e envio do pedido internacional
HonoráriosAdvogadoVariam conforme os países, as classes e o acompanhamento

As taxas da OMPI são cobradas em francos suíços (CHF). Pela tabela de referência da OMPI, a taxa básica tem sido de 653 CHF para marca em preto e branco e 903 CHF para marca em cores, e as taxas complementar e suplementar ficam em 100 CHF cada. Esses valores são atualizados pela própria organização e devem ser conferidos no momento do pedido.

O que mais pesa na conta costuma ser a taxa individual. Países como Estados Unidos, Japão e a União Europeia cobram taxas próprias, normalmente por classe, que podem superar a taxa básica. Já outros países cobram apenas a taxa complementar.

O pagamento à OMPI é feito em moeda estrangeira, então a variação cambial também entra no orçamento. A retribuição do INPI segue a tabela oficial do instituto e é paga por GRU, como explica o artigo sobre taxas do INPI e a GRU.

Como estimar o valor do seu pedido

Um roteiro prático para montar a estimativa:

  1. Defina os países prioritários. Onde você vende, onde pretende vender nos próximos anos e onde há risco de cópia.
  2. Defina as classes. Quanto mais classes, maiores as taxas individuais nos países que cobram por classe.
  3. Verifique a forma da marca. Marca com cores paga taxa básica maior.
  4. Use o simulador da OMPI. A organização mantém uma calculadora pública de taxas que soma tudo conforme os países e as classes escolhidos.
  5. Acrescente a retribuição do INPI e os honorários.
  6. Considere uma margem para o câmbio.

Para ter uma ideia da diferença entre cenários: um pedido em preto e branco, em uma classe, designando poucos países que cobram só a taxa complementar, tende a ficar perto da taxa básica somada a algumas centenas de francos. Um pedido em três classes designando Estados Unidos, União Europeia e Japão pode multiplicar esse valor, por causa das taxas individuais. Os números exatos dependem da tabela vigente e da combinação escolhida.

Custos que aparecem depois do pedido

O orçamento não termina no depósito. Alguns custos podem surgir ao longo do processo:

  • Exigências e recusas provisórias. Cada país examina o pedido. Se algum deles fizer exigência ou recusar provisoriamente, a resposta costuma exigir um procurador local, com honorários próprios.
  • Declaração de uso nos Estados Unidos. O escritório americano exige declarações de uso em momentos definidos, o que tem custo.
  • Designação posterior. É possível incluir países depois, pagando uma taxa básica de designação posterior somada às taxas dos novos países.
  • Renovação. O registro internacional vale por 10 anos e é renovável, com nova taxa básica e taxas por país.

Um ponto de atenção é a dependência da marca de base: durante os primeiros cinco anos, se o pedido ou registro brasileiro for negado ou cancelado, o registro internacional cai junto. Por isso vale proteger bem a marca no Brasil antes. No INPI, desde a Portaria 110/2025, a concessão do primeiro decênio não tem taxa, e o custo nacional fica concentrado no pedido, como mostra o artigo sobre quanto custa registrar marca no INPI.

Madri ou pedido direto em cada país

SituaçãoCaminho que costuma compensar
Vários países de interesse ao mesmo tempoProtocolo de Madri, pela centralização e pela gestão única
Um único país, com exame mais complexoPedido direto pode ser avaliado
País de interesse que não faz parte do ProtocoloPedido direto é o único caminho
Marca de base no Brasil ainda frágilAvaliar o risco de dependência antes de usar Madri

A escolha depende da estratégia do negócio. Para o mercado americano, por exemplo, o artigo sobre registrar marca nos Estados Unidos compara os dois caminhos.

Nossa equipe, com a Dra. Sarah Fiorot como advogada responsável, monta o orçamento do pedido internacional e acompanha o processo junto ao INPI e à OMPI. Para saber como funciona, visite a página de advogado para registro de marcas ou fale no WhatsApp.

Perguntas frequentes

O custo do Protocolo de Madri é pago de uma vez?

A maior parte é paga no envio do pedido: taxas da OMPI e retribuição do INPI. Custos de respostas a exigências, declarações de uso e renovação aparecem ao longo dos anos, conforme cada país.

Preciso ter a marca concedida no Brasil para usar o Protocolo de Madri?

Não necessariamente. O pedido internacional pode ter como base um pedido ainda em andamento no INPI. O risco é que, se o pedido brasileiro for negado nos primeiros cinco anos, o registro internacional também caia.

O Protocolo de Madri sai mais barato do que registrar país por país?

Costuma sair quando há vários países de interesse, porque concentra o pedido e evita contratar procurador em cada país logo de início. Para um único país, a comparação precisa ser feita caso a caso.

Fontes oficiais

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individualizada de um advogado.

Leia também

Usamos cookies para melhorar sua experiência. Saiba mais