Introdução
A marca registrada no INPI protege o negócio apenas no Brasil. Quando a empresa começa a vender para o mercado americano, abre uma loja na Amazon dos EUA ou recebe proposta de um distribuidor de lá, a pergunta muda: como registrar marca nos Estados Unidos, quanto isso custa e quanto tempo leva?
Existem dois caminhos principais, com custos, prazos e riscos diferentes. Este artigo compara os dois, mostra o que o órgão americano exige e o que costuma pesar na decisão. Os valores citados são referências públicas e mudam com frequência, então a conta final depende do caso.
Neste artigo
- Quem registra marcas nos EUA
- Os dois caminhos para registrar marca nos Estados Unidos
- Prova de uso: a exigência que surpreende brasileiros
- Prazos
- Custos
- Documentos e informações necessárias
- Perguntas frequentes
Quem registra marcas nos EUA
O órgão responsável é o USPTO (United States Patent and Trademark Office), o equivalente americano do INPI. O registro federal vale em todos os estados, permite usar o símbolo ® e dá base para medidas contra cópias, inclusive no bloqueio de importações e na proteção dentro de marketplaces como a Amazon.
Um ponto importante: desde 2019, o USPTO exige que empresas e pessoas domiciliadas fora dos EUA sejam representadas por um advogado licenciado em um estado americano. Ou seja, o empresário brasileiro não consegue protocolar sozinho o pedido direto.
Os dois caminhos para registrar marca nos Estados Unidos
1. Pedido direto no USPTO
O pedido é feito no sistema do USPTO por um advogado americano, em inglês, com a descrição dos produtos e serviços no padrão aceito pelo órgão. Esse caminho não depende de ter marca registrada no Brasil.
Vantagens costumam ser a independência em relação ao registro brasileiro e a possibilidade de ajustar o pedido à prática americana. A desvantagem é o custo do advogado local, que se soma às taxas oficiais.
2. Protocolo de Madri, via INPI
Pelo Protocolo de Madri, a empresa usa o pedido ou o registro brasileiro como base e faz um pedido internacional pelo INPI, designando os Estados Unidos (e outros países, se quiser). O passo a passo do sistema está no artigo sobre Protocolo de Madri para empresas brasileiras.
Esse caminho costuma sair mais barato quando a empresa quer vários países de uma vez. Mas tem dois cuidados:
- Dependência da marca brasileira por cinco anos. Se o pedido ou registro no Brasil for indeferido, anulado ou extinto nesse período, a proteção nos EUA cai junto.
- A descrição dos produtos não pode ser mais ampla que a brasileira. E o USPTO costuma exigir que ela seja reescrita em termos mais específicos, o que pode gerar exigência e a necessidade de contratar um advogado americano mesmo assim.
| Ponto | Pedido direto no USPTO | Protocolo de Madri |
|---|---|---|
| Precisa de marca no Brasil | Não | Sim, como base |
| Advogado nos EUA | Obrigatório desde o protocolo | Pode ser necessário para responder exigências |
| Vários países de uma vez | Não | Sim |
| Risco de perder por problema no Brasil | Não | Sim, nos primeiros cinco anos |
Prova de uso: a exigência que surpreende brasileiros
No Brasil, não é preciso usar a marca para pedir o registro. Nos EUA, o sistema é baseado no uso. No pedido direto, a empresa escolhe entre:
- Uso atual no comércio americano, comprovado com amostras (rótulos, páginas de venda, embalagens).
- Intenção de uso, que permite pedir antes de começar a vender, mas exige apresentar a prova de uso depois, com taxas adicionais.
Pelo Protocolo de Madri, a prova de uso não é exigida para registrar, mas o titular precisa declarar o uso entre o quinto e o sexto ano do registro. Sem uso real, a marca pode ser cancelada. Isso torna arriscado registrar nos EUA “por precaução”, sem plano concreto de operar no país.
Prazos
Os prazos variam com a fila do USPTO e com a existência de exigências, mas o percurso costuma ser este:
- Primeiro exame: alguns meses depois do protocolo. O examinador pode emitir uma “office action”, com prazo para resposta.
- Publicação: aprovada, a marca é publicada e abre-se prazo de 30 dias para oposição de terceiros, prorrogável.
- Registro: sem oposição, a marca é registrada. No caso de intenção de uso, só depois da prova de uso.
Na prática, o processo costuma levar de um ano a um ano e meio quando não há obstáculos, e pode passar disso com exigências ou oposição. No Brasil, a comparação está no artigo sobre quanto tempo demora o registro de marca no INPI.
Custos
O custo para registrar marca nos Estados Unidos se divide em três partes:
- Taxas oficiais do USPTO: cobradas por classe. Desde janeiro de 2025 a taxa base do pedido é de US$ 350 por classe, com acréscimos quando a descrição não usa os termos pré-aprovados ou quando faltam informações. Há taxas extras para a prova de uso.
- Taxas do Protocolo de Madri, quando for esse o caminho: taxa básica da OMPI (em francos suíços), taxa individual dos EUA por classe e a taxa de processamento do INPI. A OMPI mantém uma calculadora oficial que mostra o valor atualizado.
- Honorários: do advogado americano, no pedido direto ou nas respostas a exigências, e do escritório brasileiro que coordena o pedido, a estratégia e a marca de base.
Como os valores oficiais mudam e o câmbio pesa, o orçamento deve ser fechado na data do protocolo. Os custos do lado brasileiro estão no artigo sobre quanto custa registrar uma marca no INPI.
Documentos e informações necessárias
- Dados do titular (CNPJ ou CPF, endereço, representante legal).
- A marca exatamente como será usada, e o arquivo do logotipo, se houver.
- Lista dos produtos e serviços nos EUA, em inglês.
- Amostras de uso no mercado americano, se o pedido for por uso atual.
- Número do pedido ou registro brasileiro, no caminho do Protocolo de Madri.
- Pesquisa prévia no banco de marcas do USPTO, para evitar conflito com marcas já registradas lá.
Como nossa equipe pode ajudar
Nossa equipe atua em registro de marcas, com a Dra. Sarah Fiorot como advogada responsável. Avaliamos se a marca brasileira está pronta para servir de base, comparamos os caminhos para cada caso e coordenamos o pedido com profissionais habilitados nos EUA quando necessário, sem promessa de resultado. Conheça a página de registro de marcas ou fale no WhatsApp.
Perguntas frequentes
Minha marca registrada no Brasil vale nos Estados Unidos?
Não. A proteção de marca é territorial. O registro no INPI vale só no Brasil, e é preciso um registro próprio nos EUA ou uma designação pelo Protocolo de Madri.
Preciso ter empresa nos EUA para registrar a marca lá?
Em regra, não. Empresas e pessoas estrangeiras podem ser titulares de marca nos EUA, desde que representadas por advogado licenciado no país e que haja uso ou intenção real de uso no comércio americano.
Dá para usar a data do pedido brasileiro no pedido americano?
Pode ser possível, pela prioridade da Convenção da União de Paris, se o pedido nos EUA for feito em até seis meses do pedido brasileiro. Depois disso, vale a data do protocolo americano.
Fontes oficiais
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individualizada de um advogado.
