Especificação pré-aprovada x livre preenchimento: como economizar (e quando não dá) no INPI

Especificação pré-aprovada x livre preenchimento: como economizar (e quando não dá) no INPI

A nova tabela do INPI introduziu uma decisão estratégica que antes não existia: economizar a metade do valor do pedido se a atividade couber na lista padrão. Para a maioria dos negócios, ela cabe, e o titular paga R$ 880 em vez de R$ 1.720 por classe. Mas a escolha precisa ser feita com cuidado: especificação errada pode esvaziar a proteção.

Este artigo explica as duas modalidades, mostra como decidir e indica os casos em que vale pagar a especificação livre.

O que mudou em 2025

Até a tabela anterior, todo pedido de marca tinha valor único, o titular descrevia livremente os produtos/serviços, sem distinção de modalidade. A partir da Portaria GM/MDIC nº 110/2025 (em vigor desde 20/09/2025), o INPI passou a oferecer duas modalidades:

ModalidadeCódigoValor por classeCom desconto 50%
Especificação pré-aprovada389R$ 880R$ 440
Especificação de livre preenchimento394R$ 1.720R$ 860

O movimento do INPI tem objetivo claro: incentivar a adoção de descrições padronizadas, agilizar o exame e reduzir exigências formais. Quem aceita a lista paga metade. Quem quer redigir livremente paga o dobro.

Como funciona a especificação pré-aprovada

O INPI mantém uma lista oficial de produtos e serviços, organizada por classe da Nice e revisada periodicamente. A lista cobre as atividades mais comuns, alimentos, vestuário, comércio, serviços de saúde, restaurantes, software, educação, etc.

No e-Marcas, ao escolher pré-aprovada (cód. 389), o titular:

  1. Seleciona a classe de Nice (ex: classe 25: vestuário).
  2. Escolhe da lista oficial os itens que correspondem à atividade (“vestuário; calçados; chapelaria”).
  3. Não pode editar a redação: usa exatamente o texto da lista.

A vantagem: exame mais rápido, menos exigências, custo menor.

A limitação: se a atividade exata do negócio não estiver na lista, alguns itens ficam sem cobertura, o que pode reduzir a proteção real.

Como funciona a especificação livre

Na livre (cód. 394), o titular escreve a descrição como desejar, respeitando a classe escolhida. Pode detalhar:

  • Características específicas do produto.
  • Modalidades de entrega.
  • Público-alvo (em alguns casos).
  • Combinações que a lista oficial não cobre.

O exame do INPI verifica se a redação está coerente com a classe e se não está exageradamente ampla.

A vantagem: flexibilidade total para descrever atividade não-padronizada.

A limitação: custo dobrado e maior chance de receber exigência (“redação muito ampla, reformule”), o que atrasa o processo.

Quando usar pré-aprovada

Cenários em que a pré-aprovada cobre bem:

  • Comércio padrão: varejo de produtos comuns (roupas, cosméticos, alimentos).
  • Restaurantes e bares: classe 43 tem itens claros.
  • Software como serviço: classe 42 tem ofertas padrão.
  • Educação: cursos online ou presenciais, classe 41.
  • Serviços de beleza: classe 44, com cobertura ampla na lista padrão.
  • Construção civil: classe 37.

Em todos esses casos, a lista oficial costuma trazer itens suficientes para cobrir a atividade. Adicionar 3 a 5 itens da lista já protege o negócio sem ambiguidade.

Quando usar livre preenchimento

Cenários em que vale pagar o dobro:

  • Atividade inovadora sem correspondência na lista oficial (ex: nova categoria de produto, tecnologia emergente).
  • Combinação complexa que a lista não cobre (ex: serviço que mistura várias atividades).
  • Detalhamento específico do público-alvo ou modalidade (ex: “serviços de assessoria jurídica especializada em direito empresarial para pequenas empresas”).
  • Marca destinada a expansão internacional via Protocolo de Madri: alguns países exigem descrições mais detalhadas.
  • Atividade nicho com vocabulário próprio do setor.

Quando o titular não conseguir formar uma descrição razoável usando só itens da lista, a livre se justifica.

Estratégia híbrida

Em alguns casos, vale registrar dois pedidos para a mesma marca na mesma classe:

  • Pedido pré-aprovado cobrindo atividade principal padrão (R$ 880).
  • Pedido livre com descrição específica complementar (R$ 1.720).

Custa R$ 2.600 (sem desconto) em vez de R$ 880, mas dá cobertura amplíssima. Faz sentido para marcas valiosas que querem máxima blindagem.

Tabela comparativa

ItemPré-aprovada (389)Livre (394)
Custo cheioR$ 880R$ 1.720
Custo com desconto 50%R$ 440R$ 860
Flexibilidade da descriçãoBaixaAlta
Risco de exigênciaBaixoMédio-alto
Tempo de exameMais rápidoMais lento
Adequação para atividades padrãoÓtimaExcessiva
Adequação para atividades especiaisLimitadaNecessária

Erros comuns na escolha

  1. Pagar livre quando pré-aprovada bastaria. Empreendedor sem orientação técnica acha que livre é “melhor”: paga o dobro sem necessidade.
  2. Escolher pré-aprovada quando a atividade não cabe. Itens da lista não cobrem perfeitamente o negócio, marca fica protegida em redação que não é a atividade real.
  3. Não revisar a lista antes de pagar. Lista oficial é extensa: vale ler com calma antes de decidir.
  4. Misturar itens muito amplos. Mesmo na pré-aprovada, escolher itens demais pode gerar exigência se houver inconsistência com o CNPJ.

Como saber se a sua atividade está na lista

A consulta é gratuita no sistema e-Marcas do INPI. Procedimento:

  1. Iniciar pedido novo (sem pagar: só simulação).
  2. Selecionar classe.
  3. Buscar por palavra-chave da atividade na lista oficial.
  4. Verificar se há item correspondente.

Sem encontrar match adequado em 2-3 termos centrais da atividade: livre faz sentido. Encontrando 3 ou mais itens que cobrem o negócio: pré-aprovada resolve.

Perguntas frequentes

Posso mudar de pré-aprovada para livre no meio do processo?

Não. A modalidade é definida no protocolo do pedido. Mudança exige novo pedido.

A pré-aprovada limita o número de itens que posso escolher?

Não há limite formal, mas itens muito amplos podem gerar exigência. Recomenda-se selecionar entre 3 e 8 itens que cubram a atividade real.

Livre preenchimento garante melhor proteção?

Não necessariamente. A proteção depende da clareza e adequação da descrição, não da modalidade. Mal redigida, a livre pode proteger menos que uma pré-aprovada bem escolhida.

O INPI revisa a lista pré-aprovada com que frequência?

Periodicamente, conforme atualizações da Classificação de Nice (atualmente 11ª edição) e demandas do mercado. Itens novos são incluídos quando há volume de pedidos suficiente.

Vale a pena pedir orientação profissional para a escolha?

Para marcas com investimento alto em identidade, sim. A diferença entre pré-aprovada bem feita e mal feita pode determinar a real proteção do negócio.

Quando procurar uma advogada de PI

A escolha de modalidade combina critério técnico e estratégico:

  1. Análise da atividade real do negócio vs lista oficial do INPI.
  2. Avaliação da clareza dos itens para evitar exigência.
  3. Cálculo custo-benefício entre as duas modalidades.
  4. Estratégia híbrida, quando aplicável.

Para o sistema completo, veja o guia completo de registro de marca no Brasil 2026.

Fontes oficiais


Conteúdo informativo, sem caráter de consultoria jurídica para caso concreto. Cada situação exige análise individualizada por profissional habilitado em Propriedade Intelectual.

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