Quanto tempo demora uma investigação de paternidade

Introdução

Quem decide buscar o reconhecimento da paternidade quase sempre tem uma urgência por trás: a pensão que não vem, o registro da criança incompleto, a herança que depende do vínculo ou simplesmente o direito de saber a própria origem. Por isso, uma das primeiras perguntas é sobre o prazo.

Não existe uma resposta única para quanto tempo demora investigação de paternidade. O prazo depende do caminho escolhido, da colaboração do suposto pai e da estrutura da vara onde o processo corre. Neste artigo, nossa equipe mostra as etapas, o tempo que cada uma costuma levar e o que acelera ou atrasa o resultado.

Neste artigo

Quanto tempo demora investigação de paternidade em cada caminho

CaminhoQuando é usadoPrazo aproximado
Reconhecimento voluntário no cartórioO pai aceita reconhecerCostuma ser resolvido em poucos dias ou semanas
Averiguação oficiosaA mãe indica o suposto pai no registro e o cartório comunica o juizAlgumas semanas a poucos meses, se o pai for notificado e reconhecer
Ação de investigação com acordoO pai é citado e aceita o exame ou o reconhecimentoAlguns meses
Ação de investigação contestadaO pai nega, se recusa ao exame ou não é localizadoPode passar de um ano

Os prazos são referências gerais, e não garantia. Cada comarca tem a sua realidade de pauta e de cartório judicial.

O caminho mais rápido é o reconhecimento voluntário, que dispensa processo. O passo a passo está no artigo sobre reconhecimento de paternidade em cartório. A averiguação oficiosa está prevista na Lei 8.560/1992: o oficial do registro envia ao juiz o nome do suposto pai indicado pela mãe, e ele é notificado para se manifestar.

Etapas do processo judicial

Quando não há reconhecimento espontâneo, a ação de investigação de paternidade costuma seguir esta ordem:

  1. Petição inicial. O advogado reúne documentos e apresenta o pedido, que pode incluir alimentos.
  2. Citação do suposto pai. Ele é chamado ao processo. Se o endereço for conhecido e atualizado, essa etapa tende a ser rápida.
  3. Audiência de conciliação ou mediação. Nas ações de família, o CPC prevê essa tentativa de acordo logo no início. Muitos casos se resolvem aqui, com o pai aceitando o exame.
  4. Exame de DNA. Depois de agendado, a coleta é simples e o laudo costuma sair em algumas semanas, conforme o laboratório e o convênio do tribunal.
  5. Sentença. Com o laudo nos autos, o juiz decide. A sentença manda averbar a paternidade no registro civil.
  6. Recursos. Se uma das partes recorrer, o processo segue para o tribunal, o que acrescenta meses.

Para entender o processo em detalhes, veja o artigo sobre investigação de paternidade e o processo judicial.

O que costuma atrasar o processo

  • Suposto pai não localizado. Quando o endereço é desconhecido, a citação pode exigir pesquisas em sistemas e, em último caso, edital. Essa é uma das maiores causas de demora.
  • Recusa ao exame de DNA. A recusa não trava o processo para sempre. A lei prevê que ela gera presunção de paternidade, a ser avaliada com as demais provas (art. 2º-A da Lei 8.560/1992 e Súmula 301 do STJ). Mas, nesse cenário, o juiz costuma precisar de outras provas, como testemunhas e mensagens, o que alonga a instrução.
  • Suposto pai falecido. O exame passa a envolver parentes, como avós ou irmãos, e os herdeiros precisam ser citados.
  • Fila do exame gratuito. Quando a parte tem justiça gratuita, o exame é custeado pelo Estado, e a espera pode ser maior. O artigo sobre quanto custa um exame de DNA explica as opções.
  • Recursos. Cada recurso acrescenta tempo, mesmo quando o laudo é claro.

A pensão espera o fim do processo?

Nem sempre. A Lei 8.560/1992 prevê que a sentença de primeiro grau que reconhecer a paternidade fixará os alimentos. Antes disso, quando já existem indícios fortes do vínculo, o juiz pode avaliar um pedido de alimentos provisórios, o que depende do caso concreto.

Outro ponto relevante: pelo entendimento do STJ (Súmula 277), quando a investigação é julgada procedente, os alimentos são devidos desde a citação. Ou seja, a demora do processo não apaga, em regra, o período entre a citação e a sentença, embora a cobrança desse valor dependa das circunstâncias.

Como se preparar para ganhar tempo

Algumas providências costumam encurtar as etapas iniciais:

  • reunir certidão de nascimento da criança e documentos da mãe ou do filho maior;
  • levantar o endereço mais atualizado do suposto pai, telefone, local de trabalho e redes sociais;
  • guardar mensagens, fotos e outros indícios do relacionamento;
  • verificar se cabe justiça gratuita, já que isso influencia a forma de custear o exame;
  • avaliar se há chance de reconhecimento amigável antes de entrar com a ação.

Nossa equipe, com a Dra. Sarah Fiorot como advogada responsável, acompanha ações de investigação e de reconhecimento de paternidade em todo o processo. Para saber mais, visite a página de advogado de família ou fale no WhatsApp.

Perguntas frequentes

Existe prazo máximo para entrar com a investigação de paternidade?

Não. O reconhecimento do estado de filiação é imprescritível, conforme o art. 27 do Estatuto da Criança e do Adolescente. A ação pode ser proposta a qualquer tempo, inclusive por filho adulto. Efeitos patrimoniais, como herança, podem ter prazos próprios.

Quanto tempo demora o resultado do exame de DNA no processo?

Depois da coleta, o laudo costuma ficar pronto em algumas semanas. O que mais pesa no prazo total é o tempo até o agendamento, que depende do laboratório conveniado e da pauta da vara.

Se o pai aceitar fazer o exame, o processo termina mais rápido?

Costuma terminar. Com a concordância do suposto pai e um laudo conclusivo, muitas ações se resolvem por acordo homologado pelo juiz, sem necessidade de longa instrução. Ainda assim, o prazo final depende da agenda de cada vara.

Fontes oficiais

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individualizada de um advogado.

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