Justiça gratuita em ação de família: quem tem direito e como pedir

Justiça gratuita em ação de família: quem tem direito e como pedir

Introdução

Muita gente adia o divórcio, a ação de guarda ou o pedido de pensão por medo do custo. Taxas do processo, exame de DNA, oficial de justiça, honorários de perito: a conta assusta antes mesmo de começar. Para essas situações existe a gratuidade da justiça, prevista no Código de Processo Civil.

Este artigo é para quem já decidiu que precisa resolver a questão e quer entender, na prática, como funciona a justiça gratuita no divórcio e nas ações de família. Nossa equipe explica quem pode pedir, quais documentos costumam ser pedidos, o que a gratuidade cobre e o que continua sendo pago.

Neste artigo

O que é a justiça gratuita

A gratuidade da justiça está nos arts. 98 a 102 do Código de Processo Civil. Ela garante que a pessoa sem recursos suficientes possa ir ao Judiciário sem pagar as despesas do processo.

Não se trata de favor nem de benefício só para quem não tem renda nenhuma. O critério é se a pessoa consegue pagar as despesas sem prejudicar o próprio sustento ou o da família. Por isso, alguém empregado, com salário modesto e filhos para criar, pode ter direito.

Quem tem direito

O CPC não fixa um valor de renda. Na prática, os juízes costumam observar:

  • Renda mensal e quantas pessoas dependem dela.
  • Despesas fixas, como aluguel, financiamento e saúde.
  • Patrimônio e movimentação financeira.
  • A situação concreta depois da separação, que muitas vezes reduz a renda disponível.

Alguns tribunais e a Defensoria Pública usam faixas de renda como referência, mas elas não vinculam o juiz. Cada pedido é analisado no caso concreto.

Um ponto importante em ações de família: a gratuidade é pessoal. Um dos cônjuges pode ter direito e o outro não. O fato de o ex-marido ou a ex-mulher ter boa renda não impede que você, com renda baixa, receba a gratuidade.

Como pedir e quais documentos reunir

O pedido costuma ser feito na petição inicial, mas pode ser apresentado em qualquer momento do processo (art. 99). Para pessoa física, a lei presume verdadeira a declaração de insuficiência de recursos (art. 99, § 3º). Mesmo assim, o juiz pode pedir provas se houver elementos que indiquem o contrário, e isso tem acontecido com frequência.

Para evitar atraso, vale reunir desde o início:

DocumentoPara que serve
Declaração de hipossuficiência assinadaFormaliza o pedido
Últimos contracheques ou extrato de benefícioComprova a renda
Carteira de trabalho ou comprovante de desempregoMostra a situação profissional
Última declaração de Imposto de Renda ou recibo de isençãoConfirma renda e patrimônio
Extratos bancários recentesMostram a movimentação real
Comprovantes de despesas fixasAluguel, escola, saúde, dívidas

Quanto mais claro o retrato financeiro, menor a chance de o juiz pedir complementação e atrasar a análise. A lista de documentos da ação de pensão, que costuma andar junto com o divórcio, está no artigo sobre documentos necessários para entrar com ação de pensão alimentícia.

O que a gratuidade cobre e o que não cobre

Pelo art. 98, § 1º, do CPC, a gratuidade abrange, entre outros itens:

  • Taxas e custas judiciais.
  • Despesas com oficial de justiça e publicações.
  • Honorários de perito e de assistente social, quando o juiz determina estudo.
  • Exame de DNA e outros exames necessários, ponto explicado no artigo sobre quanto custa um exame de DNA de paternidade.
  • Emolumentos de cartório para registrar ou averbar atos ligados ao processo, como a averbação do divórcio.

O que não fica coberto é a multa processual e, de forma geral, o que for decidido como penalidade. Se a pessoa perder a ação, os honorários da parte contrária (sucumbência) ficam com a cobrança suspensa por até 5 anos e só podem ser cobrados se a situação financeira mudar nesse período (art. 98, § 3º).

O juiz também pode conceder a gratuidade parcial, só para alguns atos, ou permitir o parcelamento das despesas (art. 98, §§ 5º e 6º).

Justiça gratuita e advogado particular

Contratar advogado particular não impede o pedido de justiça gratuita. O CPC diz isso expressamente no art. 99, § 4º.

A gratuidade, porém, não cobre os honorários do advogado que você contratou. Esses são combinados em contrato, e muitos escritórios trabalham com parcelamento ou valores adaptados à realidade de quem pede a gratuidade. As formas de cobrança mais comuns estão no artigo sobre honorários advocatícios em Direito de Família.

Quem não pode pagar advogado também pode procurar a Defensoria Pública, que atende ações de família, sujeita aos critérios de renda e à disponibilidade de cada unidade.

Divórcio em cartório com gratuidade

O divórcio consensual sem filhos menores, ou com as questões dos filhos já resolvidas, pode ser feito em cartório. Nesse caso, as regras do CNJ preveem a gratuidade da escritura para quem declarar que não pode pagar os emolumentos. A presença de advogado continua obrigatória. O custo total de cada caminho está comparado no artigo sobre quanto custa um divórcio.

Se o pedido for negado

Antes de negar, o juiz deve dar à parte a oportunidade de comprovar a insuficiência de recursos (art. 99, § 2º). Se mesmo assim o pedido for indeferido, cabe agravo de instrumento (art. 101). A outra parte também pode impugnar a gratuidade concedida, e nesse caso a discussão volta para as provas de renda.

Se a gratuidade for revogada, a pessoa pode ser chamada a pagar as despesas que deixou de recolher. Por isso a declaração precisa refletir a realidade.

Como nossa equipe pode ajudar

Nossa equipe atua em Direito de Família em todo o país, com a Dra. Sarah Fiorot como advogada responsável. Analisamos se o pedido de gratuidade faz sentido no seu caso, organizamos os documentos e conduzimos o divórcio, a guarda ou a pensão, sem promessa de resultado. Veja a página de divórcio ou fale no WhatsApp.

Perguntas frequentes

Quem ganha um salário mínimo tem direito à justiça gratuita no divórcio?

Costuma ter, porque a renda é baixa e as despesas básicas consomem quase tudo. Mesmo assim, a decisão é do juiz e depende da situação financeira demonstrada no processo.

Posso pedir justiça gratuita se tenho imóvel ou carro?

Pode. Ter bens não impede a gratuidade por si só. O que se analisa é se a pessoa consegue pagar as despesas do processo sem comprometer o próprio sustento.

A justiça gratuita vale para o processo todo?

Em regra, vale para todos os atos do processo, inclusive recursos. Ela pode ser revogada se a outra parte comprovar que a situação financeira mudou ou que a declaração não correspondia à realidade.

Fontes oficiais

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individualizada de um advogado.

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